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Para salvar o trabalho gaúcho

É necessário um conjunto de políticas mais robustas que possam realmente fortalecer a economia local e promover a sustentabilidade das empresas gaúchas


Jorge Avancini 13 de junho de 2024


Vivemos tempos difíceis no Rio Grande do Sul. A crise econômica, intensificada pela pandemia e por uma série de desafios estruturais, têm levado inúmeras empresas gaúchas à beira do colapso. Como presidente do Sindicato dos Administradores do RS – SINDAERGS, tenho acompanhado de perto a angústia e a luta dos empresários para manter suas portas abertas e garantir empregos. Recentemente, o governo anunciou duas medidas emergenciais: o pagamento de dois salários mínimos aos trabalhadores afetados e a criação de linhas de crédito especiais, além da prorrogação de tributos. Embora essas ações sejam bem-vindas, elas são apenas paliativas e insuficientes para resolver os problemas de fundo que enfrentamos.

É necessário um conjunto de políticas mais robustas e direcionadas que possam realmente fortalecer a economia local e promover a sustentabilidade das empresas gaúchas. Entre as medidas que acredito serem cruciais, destaco algumas que considero prioritárias.

Uma das primeiras ações deve ser a implementação de períodos de carência para as empresas no que se refere a pagamentos de tributos e dívidas. Muitas empresas estão endividadas e sem fluxo de caixa suficiente para arcar com todas as suas obrigações. Conceder uma moratória de alguns meses para pagamento de impostos e reestruturação de dívidas permitiria que estas empresas pudessem respirar e se reorganizar. Além disso, é fundamental que as linhas de crédito oferecidas pelo governo tenham condições mais favoráveis, com juros baixos e prazos alongados, para que as empresas possam investir na retomada de suas atividades sem o peso excessivo das dívidas.

Outro ponto fundamental é a criação de incentivos claros e eficazes para que produtos e serviços gaúchos sejam priorizados no consumo interno. Uma campanha massiva de valorização dos produtos locais, aliada a benefícios fiscais para empresas que comprem e comercializem itens produzidos no estado, pode estimular a economia regional de maneira significativa. Este tipo de medida não só ajudaria as empresas locais a manterem suas atividades, mas também promoveria a geração de empregos e o fortalecimento da economia como um todo.

Também é imperativo que sejam criados incentivos específicos para a contratação de mão de obra local. Políticas que reduzam os encargos trabalhistas para as empresas que contratarem trabalhadores gaúchos, aliadas a programas de capacitação profissional, podem ajudar a combater o desemprego e garantir que os trabalhadores tenham as habilidades necessárias para atender às demandas do mercado. A valorização da mão de obra local é essencial para a construção de uma economia mais sólida e resiliente.

Adicionalmente, devemos incentivar a inovação e o uso de tecnologias que possam aumentar a competitividade das empresas gaúchas. Programas de apoio à digitalização, à automação e à inovação podem transformar o cenário empresarial, permitindo que nossas empresas se tornem mais eficientes e capazes de competir tanto no mercado interno quanto no externo. Parcerias entre o governo, universidades e o setor privado para fomentar a pesquisa e o desenvolvimento são fundamentais para criar um ambiente propício ao crescimento e à modernização.

Estamos em um momento crucial para a economia do Rio Grande do Sul. As medidas emergenciais anunciadas pelo governo são um passo na direção certa, mas não são suficientes para garantir a recuperação e a sustentabilidade das nossas empresas. Precisamos de um conjunto mais abrangente de políticas que incluam carência para pagamentos, incentivos ao consumo de produtos locais, estímulos à contratação de mão de obra gaúcha e apoio à inovação tecnológica. Somente assim conseguiremos construir uma economia mais forte e resiliente, capaz de enfrentar os desafios atuais e futuros.

A luta pelo fortalecimento da economia gaúcha é de todos nós. Governos, empresários, trabalhadores e sociedade civil precisam estar unidos nesse objetivo comum. Juntos, podemos transformar a adversidade em oportunidade e garantir um futuro próspero para o Rio Grande do Sul. Há como ajudar o RS sem ser com doações, pense nisso!

 

Foto da Capa: Freepik/Gerada por IA

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